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Querida Júlia

Bullying e o medo de voltar à escola

Numa altura em que se prepara o regresso às aulas, o que fazer quando a criança tem medo da escola?

O termo é novo no nosso vocabulário, mas o bullying é um fenómeno que esteve sempre presente na nossa sociedade. Considerado como uma guerra silenciosa, o bullying afecta cerca de dois milhões de crianças em toda a Europa. As vítimas de bullying sentem-se, geralmente, insignificantes e sem valor. As consequências são de tal forma constrangedoras, que as crianças acabam por temer a própria instituição escolar!



O QUE É O BULLYING?



O bullying é um comportamento consciente, intencional, deliberado, hostil e repetido, de uma ou mais pessoas, cuja intenção é ferir os outros. O bullying pode assumir várias formas e pode incluir diferentes comportamentos, como é o caso de violência e ataques físicos; ofensas verbais e insultos; ameaças e intimidações; extorsão ou roubo de dinheiro e pertences e exclusão do grupo de colegas/amigos.



O bullying é uma afirmação de poder através de agressão e as formas como este poder se apresenta muda m consoante a idade. Este fenómeno é, também, uma forma de pressão social, que acarreta muitos traumas na vida dos alunos que diariamente convivem com esta realidade, fazendo com que, muitas das vezes, condicionem o seu quotidiano às solicitações dos agressores.



Na maioria dos casos há um compromisso por parte das vítimas como forma de evitar novas retaliações, conduzindo, assim, a situações anómalas, já que a obrigatoriedade do silêncio faz com que a maioria dos comportamentos seja evidenciada pelos efeitos dos danos desta pressão no rendimento escolar, pelo isolamento, fobia escolar ou depressão.



Humilhações e ofensas fazem parte do dia-a-dia das vítimas de bullying. Estima-se que cerca de metade dos alunos já estiveram envolvidos neste fenómeno, sendo que a maioria não se queixa por vergonha.



QUEM PRATICA O BULLYING?



Em termos de perfil, os agressores tendem a ser alunos mais autoconfiantes que utilizam a agressão como forma de domínio, reforçando assim a sua sensação de autoconfiança e de autoestima. São alunos mais activos, com um bom autoconceito físico e socialmente enquadrados, sendo vistos pelos pares com uma espécie de ídolo ou de aluno que não se afronta porque se tem medo.



QUEM SÃO AS VÍTIMAS?



Já as vítimas apresentam uma baixa auto-estima, uma baixa confiança em si e um maior sentimento de solidão e de isolamento social. Com um número reduzido de amigos e com tendência para serem socialmente rejeitados pelos pares são, de um modo geral, alunos mais tímidos, com uma maior dificuldade de estabelecer relações com os colegas e, consequentemente, também têm menores redes de suporte social que lhes permita ter, eventualmente, colegas que os defendam numa situação de envolvimento com alunos agressores.



Por norma, as vítimas são de alguma maneira "diferentes". Por exemplo, usam óculos, são muito altos ou baixos, são muito magros ou gordos, são de outra etnia/raça, têm notas altas/baixas ou têm alguma limitação física. As vítimas parecem ser mais vulneráveis e, por isso, são presas mais fáceis.



QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS?



O bullying tem consequências no desempenho escolar de ambos os alunos - vítima e agressor - que se reflectem em baixos resultados académicos. As vítimas de bullying sentem-se tristes e assustadas e as consequências deste fenómeno podem ser nefastas. O isolamento, o medo de ir à escola, a ansiedade, os pesadelos e insónias podem desenvolver uma depressão, que mais tarde pode chegar mesmo ao suicídio.



Mas, apesar dos números alarmantes, não se pense que este tipo de agressão entre alunos faz parte do desenvolvimento normal dos mais novos. Por isso, apesar de este ser um fenómeno que sempre aconteceu, com a visibilidade que tem ganho, professores, educadores e corpo directivo da escola têm estado mais atentos e existem escolas que possuem, mesmo, campanhas anti-bullying.



"De há um tempo para cá, com a constante visibilidade e proliferação de casos de bullying, noto que existe uma maior atenção por parte da escola"
, explica Tânia Paiais, psicóloga clínica e directora do Portal Bullying.



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