SICCoruja-das-torres na Ponta da Erva, Vila Franca de Xira
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Publicação: 22-10-2008 16:15 | Última
actualização: 08-01-2009 17:51O enigma das corujas-das-torresProjecto procura saber de onde vêm e porque se reúnem os juvenis no estuário do TejoTodos os anos, dezenas de corujas-das-torres reúnem-se no estuário do Tejo, a partir do final do Verão. Um comportamento pouco habitual nestas rapinas nocturnas, alvo de estudo desde 2006. Terra Alerta foi conhecer o projecto de investigação “Tyto Tagus” que tem também uma componente de sensibilização para a conservação da natureza.
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O que a natureza nos dá
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Estamos na Ponta da Erva, em plena Reserva Natural do Estuário do Tejo. A equipa do projecto de “Tyto Tagus” prepara mais uma prospecção nocturna.
A luz da lua cheia não chega. Munidas de um foco de iluminação, ao longo da estrada de terra batida, as biólogas Inês Roque e Ana Marques vão contando corujas-das-torres em voo ou poisadas nas vedações da lezíria. O trabalho é feito de carro a baixa velocidade. Sempre que detectam uma coruja, param para observar. "O nosso objectivo é fazer recapturas visuais dos juvenis que nós anilhamos nos ninhos", explica Inês.
Na vastidão plana, despida de árvores, há mistérios que este projecto científico quer resolver. Habitualmente territoriais, as corujas-das-torres reúnem-se na lezíria do Tejo em grande número. "Nesta altura do ano, os juvenis, quando estão em dispersão em busca do seu próprio território, reúnem-se aqui no estuário do Tejo, e nós não sabemos muito bem porquê, não sabemos muito bem de onde elas vêm, não sabemos para onde elas vão”, conta Inês. “Isso é a base deste projecto ", remata a investigadora.
O coordenador do projecto, o Professor João Rabaça do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Évora, avança uma explicação ainda por confirmar: "os tributários do estuário do Tejo, como o Sorraia por exemplo, podem funcionar como corredores ecológicos de forma que os animais em dispersão se possam concentrar na zona da Ponta da Erva."
À luz do dia, o projecto, iniciado em 2006, inclui várias outras componentes. A época de campo começa a partir de Fevereiro Março com a prospecção de novos ninhos e a monitorização dos já conhecidos. Depois há que fazer a anilhagem dos juvenis.
Além dos aspectos científicos, há ainda uma componente de educação ambiental junto de agricultores e proprietários. Recentemente, a equipa do projecto organizou uma palestra com um conhecido biólogo norte-americano, David Johnson. A assistir estiveram, por exemplo, um representante da Associação de Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira, com 300 associados e 14 mil hectares de terreno, e o agricultor Vicente Monteiro, que considera que "é muito melhor ter as corujas a comer os ratos do que ter de pôr veneno." Este proprietário agrícola defende "o controlo natural, mais económico e mais ecológico".
Por todo o mundo, as corujas estão presentes na cultura humana. Umas vezes com uma imagem positiva de seres criadores, outras com uma imagem muito negativa. David Johnson preside ao "Global Owl Project", uma organização não governamental de conservação de corujas, e considera fundamental informar as pessoas sobre a biologia e a importância destes predadores no ecossistema.
No caso da coruja-das-torres, a espécie habita sobretudo em zonas agrícolas e geralmente faz o ninho em construções abandonadas, celeiros, torres de igrejas e cavidades de árvores. Na vastidão da lezíria, escasseiam estruturas adequadas. A sensibilização junto de agricultores e proprietários passa também pela construção e instalação de caixas-ninho, já que um dos factores de declínio das populações de coruja a nível europeu pode ser a perda de habitat e a destruição de locais onde nidificavam.
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