O nascimento do Santiago foi comemorado. O pano azul, colocado à janela, diz que há mais um habitante na aldeia de Parada, perdida entre as serras de Viseu, a meia hora de um Hospital.

Foi para aqui que fugiu o pai - um arquitecto de Lisboa - que aos 47 anos ajudou a nascer o primeiro filho, de uma tradutora de holandês, de 27 anos.
A gravidez foi seguida de uma forma convencional- com as recorrentes consultas de ginecologia, as ecografias e a visita ao hospital de Viseu. Mas já nessa altura, primeiro a mãe, depois o pai, convenceram-se que, na hora do nascimento, era em casa que queriam estar.

Contrataram uma parteira (uma enfermeira especializada em obstectrícia), uma doula (uma mulher que ajuda mulheres antes, durante e depois do trabalho de parto), compraram uma piscina e prepararam tudo em casa.
O bebé nasceu depois de 24 horas de trabalho de parto. Um dia longo, sempre em família, que culminou com o nascimento do Santiago.

Na aldeia é mais fácil aceitar-se o parto em casa, dizem os pais, que não têm dúvida que a relação com o sítio onde vivem alterou-se.. assim como a relação do casal e do bebé.

Nascer em casa volta assim a ser discutido.. 50 anos depois de Portugal transferir o nascimento para os hospitais.
Em meio século, o país passou dos piores lugares da europa para o 4º melhor do mundo.. com menos mortes durante o nascimento.

A intervenção salva muitas vidas mas começa a ser exagerada.. Diz a Organização Mundial de Saúde que os países mais industrializados estão a intervir demais no nascimento e nos partos ditos normais, de baixo risco. Por isso emitiu uma série de recomendações para tentar travar as intervenções e os procedimentos rotineiros, muitos desnecessários.

Uma voz de peso, da alta-autoridades para a saúde do mundo, que dá força a um novo movimento que nasce: pelo parto normal e natural, que quer devolver o protagonismo à mãe e ao bebé.

Os médicos alertam para os riscos de um parto desassistido mas começam a admitir que, em muitos casos, se está a intervir demais. Assim nascem, também, as maternidades com salas de partos naturais e com a consciência que se podem estar a perder bebés pelo medo dos pais.

Manuela Vicêncio 
Jornalista



Jornalista: Manuela Vicêncio
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