José Sócrates forma novo executivo sem maioria absoluta no Parlamento
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Com uma carreira política já longa, apesar dos seus 52 anos, o secretário-geral do PS, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, teve o seu maior sucesso político nas eleições legislativas de Fevereiro de 2005, em que alcançou uma maioria absoluta histórica para o PS, que lhe permitiu chefiar o Governo de Portugal ao longo dos últimos quatro anos e meio.
Perdida a maioria absoluta no Parlamento, a dúvida, agora, é saber se Sócrates conseguirá adaptar-se a um novo quadro político que exige negociação permanente e muito espírito de diálogo "guterrista".
Tendo no seu "núcleo duro" políticos como Pedro Silva Pereira ou Vieira da Silva, José Sócrates governou uma legislatura (2005/2009) marcada por dois períodos distintos: na primeira parte, fizeram-se reformas (muitas delas impopulares) em quase todos os sectores com o objectivo de equilibrar as contas públicas; na segunda parte, quando os socialistas tencionavam desapertar o cinto dos portugueses, os efeitos da crise financeira mundial obrigaram o Governo a adoptar medidas de emergência e de curto prazo para atenuar as dificuldades económicas e sociais.
Dois períodos distintos tiveram igualmente as relações do primeiro-ministro com o Presidente da República, Cavaco Silva, eleito em Janeiro de 2006.
Até ao Verão de 2008, a cooperação estratégica funcionou sem problemas, mas começou a degradar-se com a polémica em torno do Estatuto dos Açores e atingiu recentemente o pior momento a propósito da questão da alegada vigilância exercida por elementos de São Bento em relação ao "staff" de Belém.
Relações tensas teve também o secretário-geral do PS com alguma comunicação social, em particular com a TVI e com o jornal "Público", sobretudo na sequência da divulgação de notícias que o envolveram no caso "Freeport" ou que colocaram em causa a forma como terminou a sua licenciatura em engenharia civil.
No plano diplomático, o primeiro-ministro apostou no aprofundamento das relações com Angola, Venezuela, Líbia, Brasil, Espanha e Rússia, mas o seu maior sucesso político foi a assinatura do Tratado da União Europeia, em Lisboa, durante a presidência portuguesa da União Europeia no segundo semestre de 2007.
José Sócrates aderiu ao PS, em 1981 e dois anos depois deu o primeiro passo significativo na sua carreira política quando ganhou por poucos votos a presidência da federação socialista de Castelo Branco contra os soaristas, cargo em que permaneceria até 1995.
Considerado parte da nova geração de socialistas que alcançou o poder com a ascensão de António Guterres a primeiro-ministro, Sócrates apoiou o actual alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados contra Jorge Sampaio na disputa da liderança do PS, em 1992.
Com a vitória de Guterres nas legislativas de 1995, o actual líder socialista foi nomeado secretário de Estado da ministra do Ambiente Elisa Ferreira, passando depois, em 1997, a ministro-adjunto para a Juventude, Toxicodependência e Desporto.
Fez aprovar nessa altura a Lei de Defesa do Consumidor, lançou a descriminalização do consumo da droga e foi um dos principais impulsionadores da candidatura (vitoriosa) à organização do Europeu de Futebol de 2004.
Mas foi a nomeação para ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, em 1999, que lhe trouxe maior visibilidade, ao optar pela co-incineração, uma "bandeira" polémica, que foi contestada por vários socialistas, incluindo o histórico do PS Manuel Alegre, um dos seus principais opositores no partido.
Divorciado, pai de dois filhos, Sócrates concilia a actividade política com a paixão pelo 'jogging' e pelo Benfica, clube do qual é sócio e accionista.
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