Questionado se o PSD aceita discutir um novo modelo prescindindo da suspensão do actual modelo de avaliação, Aguiar Branco respondeu: "O ponto de partida do PSD é aquele que vem no seu programa eleitoral, foi aquele que já, no passado, também na anterior legislatura tivemos: a suspensão".

Aguiar Branco afirmou também que a intenção do PSD "não é de fazer frente de oposição, é de contribuir para desbloquear uma situação que tem sido de tensão entre o Governo e os professores".

Embora considerando que é legítimo a oposição unir-se para aprovar uma solução contra o grupo parlamentar do PS, segundo Aguiar Branco "não há nenhum risco de se fazer frentes negativas, mas sim a vontade de fazer um trabalho construtivo, de colaboração, e, inclusivamente, de tentar chegar ao consenso com os principais interessados, que são os professores".

"Todos os cenários são legítimos numa Assembleia da República que tenha a configuração parlamentar que os senhores jornalistas conhecem. A legitimidade é a legitimidade das maiorias que se formem aqui no plenário. Portanto, a legitimidade existe. Agora, não há é vontade nenhuma de continuar a contribuir para um clima de tensão que existiu no passado e que nós achamos que seria muito oportuno deixar de existir", considerou.

Já Miguel Tiago, deputado do PCP criticou as declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, de que o novo governo não irá suspender a avaliação dos professores, estando apenas disponível para aperfeiçoar o modelo actual, e recordou que a bancada comunista já avançou com um projecto de lei nesse sentido, afirmando esperar apoio dos restantes partidos da oposição.

"Da nossa parte já apresentámos um projecto de lei, em relação ao qual esperamos grande convergência porque ele visa dar resposta às questões mais urgentes: suspensão da avaliação e eliminação da divisão da carreira", afirmou Miguel Tiago.

O diploma do PCP propõe a suspensão do actual modelo para permitir a negociação de uma nova forma de avaliação, considerando que o sistema actual "pára as escolas, asfixia e impõe aos professores a degradação da sua condição de vida" e "não pode continuar".

Durante este período de discussão, defendem os comunistas, os professores deveriam continuar a ser avaliados, utilizando o modelo anterior, que "esteve em vigor por mais de uma década e que também era de um governo PS".

Quando reagiam ao programa do Governo apresentado esta segunda-feira, também o CDS-PP e o BE demonstraram claramente nos seus discursos o descontentamento com as medidas propostas para a Educação. Pedro Mota Soares, do CDS-PP e Helena Pinto, do BE, acusaram mesmo o primeiro-ministro de se esquecer do resultado eleitoral que lhe retirou a maioria.

Pedro Mota Soares disse que o PS e o Governo "não tiveram a humildade de reconhecer que as circunstâncias se alteraram e que não têm uma maioria absoluta neste mesmo Parlamento". "Isso exigiria que o Governo tomasse opções diferentes, percebesse erros que se cometeram e tivesse nesse sentido uma capacidade de rectificar um conjunto de aspectos que não o fez", acrescentou, enumerando depois entre outros temas a questão da avaliação dos professores.

Por sua vez, Helena Pinto repetiu a crítica à semelhança entre o programa eleitoral socialista e o Programa do Governo. Para o BE tal significa que o PS "não percebeu" os resultados eleitorais. O Bloco deixou a promessa de questionar o executivo: "É preciso saber o que é que o governo pretende fazer no concreto (...) também em relação a questões que foram prementes na última legislatura, como a avaliação e professores e o estatuto da carreira docente", sublinhou.

Com Lusa