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"José Saramago trata Deus como filho da "p". Pronto, não gostei, quem não se sente não é filho de boa gente", confessou o padre Carreira das Neves.
Foi então que Saramago se desculpabilizou referindo que já tinha admitido o erro: "Já reconheci hoje mesmo numa entrevista que dei que aí me excedi, que não era necessário. Sobretudo porque é bastante gratuito".
"Longe de mim a ideia de negar o direito ou a necessidade de leituras simbólicas. Com uma condição: é que essas leituras não eliminem um texto literal. E, aquilo que me parece a mim que a Igreja quer é que não façamos muito caso daquilo que está escrito realmente e entendamos o que estamos a ler de uma maneira normal, que o leitor comum nao chegará a ela e, que até obrigaria à Igreja por ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo para lhe dizer como é que a devia entender", reiterou o escritor.
A forte polémica suscitada no fim-de-semana passado devido às declarações de Saramago quando do lançamento do livro, em Penafiel, provocaram reacções da Igreja Católica e da comunidade judaica em Portugal. Carreira das Neves lembrou as palavras de Saramago. "A Bíblia para mim nao é um 'manual de maus costumes'. Nem para mim nem para milhões e milhões de cristãos, de judeus, de protestantes, de ortodoxos", defendeu.
Saramago contestou a interpretação de Carreira das Neves e voltou a rejeitar a ideia de ter sido mal intencionado.
"Que eu tenha chamado à Bíblia um manual de maus costumes é uma liberdade de autor que não tira nem acrescenta nada à Bíblia, é, digamos, uma manifestação de humor. Mau humor, claro", gracejou.
O autor de Caim defendeu-se ainda das críticas de que a polémica em torno das suas declarações sobre religião serviriam para publicitar o novo livro: "O 'Caim' é uma velha relação minha, não se tratou de repente 'eu agora preciso de um livro que venda muito vou escrever alguma coisa sobre o Caim".
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