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TERRA ALERTA Espaço de informação sobre Ambiente, às quartas-feiras no Jornal da Noite
Terra Alerta é um espaço de reportagem televisiva que conta, a partir de agora, com um site onde se podem ler os artigos e visionar os vídeos. Este blog mantém-se, mas passa a ter notas mais pessoais. No Ano Internacional do Planeta Terra, continuamos a alertar para as ameaças e oportunidades da chamada crise global do ambiente, com os pés assentes na realidade portuguesa.
Gostaríamos de contar com os seus comentários e sugestões neste blog, ou para o endereço terraalerta@sic.pt.
Por Carla Castelo
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Reino vegetal: A importância de manter a diversidade verde da Terra
Na semana em que foi inaugurada a chamada Arca de Noé vegetal na Noruega, propomos-lhe uma visita ao Banco de Germoplasma do Jardim Botânico de Lisboa. É lá que estão conservadas por exemplo espécies ameaçadas da zona de Alqueva.
Antes da albufeira criada pela barragem de Alqueva tomar conta da paisagem, biólogos andaram pelos campos a recolher sementes. O objectivo foi conservar o maior número possível de espécies da flora de toda a área que veio a ser inundada. Entre as espécies guardadas no Banco de Germoplasma do Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural, da Universidade de Lisboa está o narcissus cavanillesii, uma pequena planta que também foi objecto de transplantação para uma zona segura, em Setembro de 2001.
"O narcissus cavanillesii, durante muito tempo, foi o emblema do Alqueva pois só existia em Portugal em duas zonas muito restritas e uma das zonas ia ser inundada", recorda a directora do Jardim Botânico, Amélia Loução. O narciso conseguiu sobreviver na natureza e as suas sementes estão bem guardadas na câmara de conservação a uma temperatura constante de 18 graus negativos.
Todas as sementes recolhidas no campo são limpas e preparadas para serem depois conservadas durante longos períodos. Contudo, antes disso é preciso saber qual a viabilidade do que se irá guardar, através de testes de germinação. Depois da primeira preparação, as sementes são secas numa estufa que as mantém a uma temperatura de cerca de 13º C e a uma humidade que ronda os 15%. Todas as sementes guardadas são rigorosamente identificadas com um código de barras e toda a informação é inserida numa base de dados informatizada. Cada tubo é hermeticamente fechado e, no final do processo, as sementes são então guardadas na câmara frigorífica a -18ºC. O objectivo é guardar a maior variabilidade genética possível.
Em Portugal, para além do Banco de Germoplasma do Jardim Botânico de Lisboa, direccionado para a conservação da flora silvestre, existe em Braga o Banco Português de Germoplasma Vegetal, ligado à Direcção Regional de Agricultura de Entre Douro e Minho, mais vocacionado para a conservação das espécies vegetais cultivadas.
Para os biólogos, a existência deste tipo de estruturas é cada vez mais importante para preservar os recursos biológicos do País, perante várias ameaças como a destruição de habitats (devido à construção de barragens, urbanização, etc.) ou as alterações climáticas. A Península Ibérica é considerada uma das regiões mais ricas em biodiversidade a nível europeu e simultaneamente uma das regiões mais vulneráveis às alterações climáticas.
Em relação às plantas, Portugal é o quarto país europeu com o maior número de endemismos vegetais, ou seja, espécies com distribuição restrita, e o terceiro com mais espécies ameaçadas. Contudo, o investimento na conservação é extremamente reduzido. O Museu Nacional de História Natural e o Jardim Botânico há anos que se confrontam com graves dificuldades orçamentais que afectam de igual forma a generalidade das instituições públicas ligadas à investigação científica e à conservação da biodiversidade.
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A vida dos grifos: De regresso ao ninho
Está a decorrer o segundo Censo Ibérico de Grifo. Nos próximos 4 meses, cerca de 100 voluntários contam o número de casais e de crias. No Terra Alerta de hoje, acompanhamos as primeiras contagens e relatamos as últimas novidades sobre os ninhos que estão a ser filmados em permanência numa escarpa das Portas de Ródão.
A calma da manhã só é interrompida esporadicamente pela campainha que anuncia o comboio. Nada que perturbe os grifos, já habituados à proximidade da linha-férrea. Em voo, ou poisados nas escarpas rente ao Tejo, os grifos distinguem-se bem pelo tamanho e pelo aspecto. Cada casal defende o seu ninho, e normalmente não permite a presença de estranhos.
Há 5 semanas que é possível observar dois ninhos da colónia das Portas de Ródão, através da Internet. O ninho principal está a ser disputado por um casal de grifos e pelo abutre de Ruppel solitário. Esta semana, o abutre voltou a expulsar um grifo do ninho. Já na sexta-feira passada, após uma tentativa de cópula, os grifos acabaram por ser afugentados pelo abutre que, desde Novembro, tem levado ramos e paus e arranjado o ninho que quer para si próprio, apesar de aparentemente estar isolado na colónia de grifos. No ninho de baixo, menos visível nas imagens, outro casal incuba o ovo, posto em meados de Janeiro. Fêmea e macho revezam-se na tarefa.
O comportamento destas grandes rapinas é seguido de perto por Carlos Pacheco, o biólogo que acompanha o projecto Grifos na Web. Em 1999, participou no primeiro censo ibérico coordenado destas aves, e está agora envolvido no segundo. Nos próximos 4 meses, cerca de 100 voluntários irão observar atentamente cada colónia existente em Portugal e em Espanha.
Segundo os últimos registos, em Espanha, a população ascendia a 16 mil casais. Do lado português, os últimos dados apontavam para cerca de 270. Mas a contagem não se limita ao número de pares. Os voluntários, que estão a trabalhar no censo, irão também verificar a percentagem de casais que chega ao fim do período de reprodução com cria.
Em Portugal, a maior parte da população de grifo encontra-se nas regiões do Douro e Tejo internacional. Acompanhamos Carlos Pacheco nas primeiras contagens. Partimos de Malpica do Tejo e navegamos até uma das maiores colónias de grifo em território nacional, com 37 casais, precisamente no Tejo Internacional. Verificamos que os grifos se alimentaram há pouco tempo. Possivelmente de restos de alguma montaria, numa das várias zona de caça das redondezas. Os sinais de sangue, nos pescoços esguios, são evidentes.
Nesta altura do ano, a maioria dos ninhos nesta altura do ano já tem ovo e os progenitores passam o tempo a incubá-lo. Em meados de Março deverão começar a nascer as primeiras crias. Nessa altura voltaremos à vida dos grifos.
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Projecto Rios: Adoptar um troço de rio
Num país onde cerca de metade das linhas de água ainda tem má ou muito má qualidade, um projecto cívico promete mudanças. No Terra Alerta de hoje contamos-lhe o que é o Projecto Rios. Uma iniciativa que nasceu na Catalunha em 1999 e que está a dar os primeiros passos em Portugal.
É a primeira saída de campo de um grupo de alunos do sexto ano da Escola EB 2, 3 de Lavra , no concelho de Matosinhos, no âmbito do Projecto Rios. Os alunos, acompanhados pelo professor responsável e pelo coordenador técnico do Projecto, vão fazer o reconhecimento geral do rio Onda, a linha de água mais importante da freguesia, palco de frequentes atentados ambientais.
Nas próximas saídas, haverá medições e recolha de amostras para análise. E, numa fase mais avançada, o trabalho poderá incluir acções de limpeza, controlo de plantas infestantes nas margens, e reabilitação de troços degradados. Mas a primeira visita é apenas de observação. Em fichas de monitorização, os alunos assinalam o aspecto e odor da água, se existem resíduos na água e nas margens, a fauna e flora presentes, o tipo de ocupação humana, e muitas outras informações relevantes para o conhecimento do rio. Cada troço deverá ficar com uma caracterização física, biológica e social, o mais completa possível.
O projecto nasceu na Catalunha em 1999, foi depois adoptada na Galiza, e mais tarde foi lançado em Portugal pela Associação Portuguesa de Educação Ambiental e pela Associação de Professores de Geografia, com o apoio de instituições como a Liga para a Protecção da Natureza e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. A iniciativa passa pela adopção de um troço de rio por grupos que podem ser alunos de uma escola, organizações não governamentais, amigos, ou mesmo uma família.
O coordenador técnico do projecto, Pedro Teiga explica que "na Catalunha estão cerca de 650 grupos a trabalhar no Projecto Rios em troços de 500 metros, na Galiza cerca de 230, e nós em Portugal estamos com 67 grupos a fazer a adopção em 21 municípios."
Para melhorar a qualidade dos rios será preciso eliminar os principais focos de poluição, ligados a problemas que subsistem no País, como a falta de saneamento básico, a falta de tratamento dos efluentes industriais e as más práticas agrícolas. Mas também será necessário restaurar o espaço natural da nascente até à foz, acabar com a canalização de rios e com a ocupação excessiva das margens. A Directiva Quadro da Água não se limita a exigir uma boa qualidade da água em todos os rios até 2015; o objectivo é atingir uma situação de boa qualidade ecológica.
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