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Aos domingos no Jornal da Noite, e aqui quando é preciso, a SIC mostra o que já existe com alguns vislumbres de futuro. Os jogos, as máquinas, os sites e as ideias que fazem o mundo moderno, pela visão do Editor de Novas Tecnologias, Lourenço Medeiros. |
Internet sem liberdade
A crescente importância da Internet, a rede supostamente livre, leva a muitos tentem controlar o acesso à informação. Um controlo que está muitas vezes na mão de empresas privadas, que colaboram com os governos mais duros. “Fitna” é filme mais falado dos últimos dias. Uma curta-metragem, um panfleto de ódio ao Islão que não agrada a nenhum país democrático, foi censurado num site de uma empresa americana, o seu autor, Geert Wilders político holandês, limitou-se a colocá-lo noutro local de uma companhia britânica, acessível a todo o mundo. Noutros países as medidas são diferentes. Kareem Amer , egípcio, foi premiado como dissidente do ano de 2007 por uma fundação ligada as Repórteres sem Fronteiras. Para isso foi condenado a 4 anos de cadeia por denunciar o autoritarismo presidencial, é apenas uma de 63 pessoas muitas com penas mais graves, detidas, no mundo, por colocarem a sua opinião em páginas de Internet. A maioria são chineses. A China está empenhada em fazer dos jogos olímpicos um sucesso. Tibetanos e organizações de luta pelos direitos humanos viram aqui uma oportunidade para denunciar o regime. Quando elementos da Repórteres sem Fronteiras tentaram interromper a cerimónia de partida do facho olímpico até as câmaras da televisão grega preferiram mostrar outros cenários, mas a mensagem já tinha passado. Os chineses foram mais eficazes ainda, nada foi visto, a transmissão tinha um atraso deliberado para que fosse possível colocar a tempo imagens de arquivo. As imagens da repressão de manifestações no Tibete estão proibidas em território chinês de tal forma que chegou a ser impossível receber as principais cadeias de TV internacionais. A simples presença de jornalistas no território é proibida. Mas é na Internet que o governo chinês se mostra especialmente eficaz. Filtrando os conteúdos, bloqueando páginas para todo o país, e ultimamente colocando propaganda ao regime em sites como o You Tube.
Os governos que estão a utilizar filtros controlam não apenas conteúdos maliciosos que tenham que ver com pornografia infantil, com a violência ou com o terrorismo, para Victor Nogueira da Amnistia Internacional, estão a tentar mas controlar a própria expressão do pensamento, a liberdade de expressão, a organização das pessoas. Censuram as pesquisas cortando informação, é esta a tendência, e é uma tendência perigosa porque poderá ser também alargada aos países desenvolvidos a pretexto do combate ao terrorismo. A governo chinês não é o único, o You Tube é bloqueado regularmente por uma série de países quer por ordens governamentais quer pelos tribunais de cada vez que é publicado um video considerado ofensivo segundo critérios locais. O Paquistão ao tentar impedir que o site chegasse aos seus internautas conseguiu uma proeza, todo o You Tube ficou invisível para o mundo inteiro durante uma hora. O governo acabou por mudar a decisão, uma característica da maior pare destes bloqueios que acabam por ser limitados no tempo. Há poucas semanas houve uma mudança fundamental na Internet, os Estados Unidos deixaram de ser o país com maior número absoluto de internautas, agora é a China. Mesmo as grandes empresas capitalistas, que em teoria sempre defenderam a maior liberdade possível porque era isso que os seus clientes queriam, não querem afrontar o país onde está o maior mercado, mesmo que nesse país os direitos humanos sejam sistematicamente violados. Accionistas do Google já tentaram por duas vezes obrigar a própria empresa a não pactuar com violações dos direitos humanos, contra a opinião vencedora da administração. É bem conhecida a decisão da Yahoo ao entregar os dados incriminatórios que permitiram, segundo a lei chinesa a detenção de um dos seus utilizadores. Os gigantes da rede escudam-se no principio do respeito pelas leis dos países onde trabalham, Victor Nogueira lembra que para além das responsabilidades sociais geralmente assumidas pelas grandes companhias é necessário respeitar também, e em primeiro lugar, o direito internacional.
A organização Repórteres sem Fronteiras até tem manifestações virtuais onde cada um pode expressar a indignação perante cada caso especifico de repressão. Publicou uma lista do inimigos da liberdade de imprensa que abrange ditadores mas também organizações como a ETA. Um dos últimos casos a surgir foi o do blogue Geração Y escrito a partir de Cuba. Yoani Sanchez dá a cara para falar do dia a dia, de como não é possível aceder a computadores, até a simples torradeiras, sem o aval do estado, sempre em tom irónico. Noutro registo não esquece os detidos por pensarem de outra forma. Geração Y pode ser lido em todo o mundo, mas foi bloqueado em Cuba, primeiro na totalidade depois tornando o acesso de tal forma lento que se torna impraticável a leitura.
Em Portugal, país que já teve censura, dificilmente imaginamos um país como Myanmar onde as autoridades obrigam os cibercafés a registar uma imagem do ecrã, do que estão a fazer os seus clientes a cada cinco minutos, ou como a Síria onde para aceder à Internet em local público se exige a identificação. Nos países ocidentais é o terrorismo tem servido de pretexto, se não para a censura de conteúdos, para a vigilância das comunicações na Internet. Depois do atentado o de 11 de Setembro a própria noção de privacidade mudou, pelo menos ara as autoridades.
A questão não é tão simples como parece, censurar ou não censurar. Não se trata apenas de ditaduras ou democracias. Mesmo nos países mais abertos há leis a respeitar, e que é crime num local é tolerado noutro. O pretexto é quase sempre a pornografia e a violência, depois a segurança nacional, o alvo quase sempre as ideias diferentes.
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Portugal do ar
Se não estivesse já aqui era caso para dizer para ir ligando o computador. Poucos resistem a espreitar a sua própria casa, vista do céu. Mais uma vez as imagens que podemos ter de Portugal melhoraram e desta vez o salto foi gigantesco.
Podemos ver as praias de Portugal, como se fosse um jogo de computador, com a ajuda de um joystick para melhorar a navegação. E é só o princípio, são verdadeiras imagens do país como se podem ver agora em qualquer computador com um boa ligação à Internet. O Virtual Earth é o concorrente da Microsoft numa luta de gigantes com o Google Earth. Já vamos ver porquê mas criar estes gigantescos mundos pode ser um negócio de muitos milhões. Colocou imagens de grande definição, e em três dimensões, de todo o país na Internet e acrescentou o que chama de olho de pássaro. Imagens de excepcional resolução, que permitem ver qualquer ponto de um local de quatro ângulos diferentes. Estão disponíveis para 9 cidades portuguesas.
Não se trata apenas de um brinquedo, para vermos a nossa casa de cima. Em breve esta pode ser uma ferramenta importante. Comprar casa, fazer contratos com terrenos, os próprios planos directores municipais podem vir a passar por ferramentas destas. Para já o estado português deu as imagens que tinha e a Microsoft comprou as fotografias aéreas. Em troca todos os organismos do estado podem usar as ferramentas da Microsoft.
Imagens com qualidade que podem ser de facto usadas na administração do território. Para isso têm que estar sempre o mais actualizadas possível. O Instituto Geográfico Português quer actualizar tudo a cada dois anos. Já em 2008 deverão ser colocadas novas fotografias de voos realizados no ano passado. Vale a pena ver com atenção, vale a pena passar um bom bocado percorrer o país, sobretudo nestas 9 cidades, os seus monumentos e as suas tristezas, os pontos turísticos e os cemitérios de automóveis. Está lá tudo em fotografias áreas bem próximas. Com qualidade "olho de pássaro" estão, Lisboa, Porto, Braga, Guimarães, Aveiro, Coimbra, Leiria, Setúbal e Faro.
Ao longe o mapa começa por parecer grosseiro, mas quando nos aproximamos vemos que em todo o território nacional há imagens de uma nitidez impressionante. Mesmo nos locais onde não chega o tal "olho de pássaro". As imagens não são todas feitas ao mesmo tempo. As fotografias têm que ser tratadas e demoram muito a chegar à Internet, até para que possam ser vistas com o relevo do terreno. As imagens aéreas, as mais próximas, também levam pelo menos alguns meses até estarem disponíveis. Como exemplo algumas das que mostram os Restauradores e a Avenida da Liberdade foram nitidamente feitas durante a parada dos 15 anos da SIC em 2007, são visíveis os camiões e sobretudo os balões gigantes usadas na ocasião.
É um trabalho interminável que a Microsoft e o Google querem fazer em todo o mundo. Por detrás está a intenção de comercializar a informação. Já estão no ar alguns serviços em Portugal. Já existem sites que começaram a usar estas ferramentas para vender casas. Há novos negócios como a criação de uma gigantesca comunidade onde cada um pode, apenas com o telemóvel, saber onde estão os seus amigos ou colegas, até o sector das viagens vai aproveitar as novas ferramentas. O Estado português fez acordos semelhantes com a Microsoft e a Google duas das empresas com capacidade para projectos desta dimensão à escala mundial.
Não estamos habituados a ver muito do que está por detrás dos muros. E aqui estão as prisões de alta segurança, os quartéis, as bases aéreas. Está tudo à vista, e há quem considere que tais imagens são um risco de segurança, que algumas coisas devem estar longe de olhares indiscretos e eventualmente mal intencionados. A verdade é que nas imagens de Washington a Casa Branca está deliberadamente mascarada para que não sejam visíveis os detalhes, os acessos, as eventuais defesas. Não acontece o mesmo em Portugal, a residência oficial do Presidente da República é bem visível, as entradas, os terraços e estacionamentos, os muros, até a piscina. S. Bento onde trabalha o primeiro-ministro pouco mais esconde, e apenas porque a vegetação alta disfarça muitos dos detalhes.
A preocupação dos americanos não é regra, o Palácio Real em Madrid é um verdadeiro postal aéreo e até a Buckingam em Londres parece não ter nada a esconder, pelo menos que se veja do ar.
Mais polémico do que isto fez o Google numa versão que ainda não existe para as cidades portuguesas. Nova Iorque é uma das cidades onde podemos percorrer à distância imagens das ruas da cidade ao nível do chão. No Google Maps, é possível seguir as avenidas da grande metrópole em fotografias metro a metro, até dá para ver detalhes de quem lá estava quando foram feitas as imagens. São apostas diferentes para o mesmo negócio da georreferenciação, no Google Earth ou no seu concorrente da Microsoft as duas ferramentas apostam também nas imagens tridimensionais, no relevo da paisagem e até, em alguns locais, no volume e nas fachadas dos edifícios.
O ideal é ter Internet de Banda Larga para chegar ás imagens de todo o mundo todo, a sua casa ou a piscina do vizinho, os restauradores ou Nova Iorque, a ribeira do Porto as pirâmides do Egipto, uma melhor outras pior em maps.live.com
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Cebit 2008
Há uma feira de tecnologia que resiste à decadência destes grandes eventos. Na Cebit em Hannover as empresas continuam a acorrer. Mesmo sem lançamentos revolucionários a SIC foi ver como foi esta semana na Alemanha.
Sem ver dificilmente se imagina o gigantismo de uma Cebit, a maior feira de tecnologia do mundo, num espaço que inclui 27 grandes pavilhões e cerca de 30 restaurantes. No meio disto há de tudo, farmácia, supermercado, uma rede de transportes interna e até uma linha especial de táxis só para transportar jornalistas ao centro de imprensa.
Lá dentro há de tudo, desde stands de verdadeira fancaria electrónica, que será vendida ao desbarato no último dia, até aos mais sofisticados sistemas informáticos profissionais. Há fabricantes de fichas, de fios e cabos, de placas de todos os tipos, de caixas para computadores e contentores para albergar grandes servidores. Há software testado, há empresas que apenas procuram um investidor que as compre com as ideias que querem desenvolver, há televisões de alta definição e os eternos óculos para ver cinema em privado, um produto com anos que teima em não “pegar” no mercado. As empresas apresentam na Cebit produtos acabados e muitos conceitos que podem ou não ser usados no futuro. Este ano em termos de serviços públicos dava nas vistas um protótipo de cartão de identificação que incluía um pequeno ecrã. O cartão não se distingue em espessura de um vulgar cartão de crédito mas consegue incluir um ecrã que, no caso, mostrava uma imagem 3D, a rodar, do utilizador. Claro que o ecrã pode facilmente exibir quaisquer dados contidos no cartão. Ainda não se via mas o fabricante garante que ecrã pode vir a servir de leitor de impressão digital. Grande tendência de 2008 para as maiores empresas, a aposta no “verde”. As companhias querem mostrar seu empenho ecológico e também já perceberam que este é um dos grandes negócios das próximas décadas. Era especialmente notório no stand da IBM, que trocou o azul pelo verde, para mostrar os muitos projectos em que está envolvida e a importância dos supercomputadores para a análise e conhecimento da atmosfera terrestre. A Microsoft mostrava o seu modelo de servidores familiares, destinados a servir de centro aos vários computadores de uma mesma família mas também apostava na ecologia, com um projecto bem prático. A Microsoft alemã tem pronto para lançamento um contador de electricidade de nova geração, com um design muito mais atraente que os actuais e com ligação por IP. Permite que a companhia de electricidade faça leituras de 15 em 15 minutos e fornece dados ao segundo a utilizador final. Ou seja, basta acender uma luz ou um qualquer electrodoméstico para perceber, pela variação qual o consumo desse aparelho. O leitor está preparado para fornecer médias e para lançar alertas se algo de anormal se passar com o consumo eléctrico. O projecto não é único mas este parece estar pronto para o mercado. O consumidor pode assim ter uma noção real dos seus gastos com energia e a partir desses dados optimizar a utilização doméstica. Os aparelhos de GPS tinham uma presença impressionante na Cebit. É o instrumento da moda embora a tecnologia ainda possa vir a melhorar muito. Todas as empresas tentam mostrar algo de diferente mas sem grande sucesso. A Tom Tom deu nas vista com o seu novo sistema de rotas inteligentes. A ideia é aparentemente simples mas falta ver a sua aplicação prática. Com os dados reais dos seus utilizadores, partindo do principio de que estes os enviam, a empresa pode “perceber” qual a velocidade de facto a que se viaja em determinadas estradas. Qualquer condutor sabe os seus atalhos preferidos, muitas vezes com maiores distâncias poupa-se tempo e viaja-se de forma mais tranquila. A portuguesa NDrive pela terceira vez na Cebit conseguia dar nas vistas mesmo no meio dos gigantes do GPS. Sem aparelhos novos apostou na navegação com fotografias aéreas um produto de facto único mesmo na Cebit. Com o seu G800 é possível viajar como com qualquer outro aparelho de GPS mas em determinadas cidades os mapas são substituídos por fotos aéreas da zona onde estamos, com o grafismo da rota sobreposto. Curiosamente um produto aparentemente secundário deu pelo menos tanto nas vistas como a fotografia aérea. O G400 foi muito procurado pela imprensa internacional, é um aparelho de GPS normal, mas soprando de lado faz uma leitura de álcool indicando se o condutor está em estado de pegar no carro. Impressionante é participar de uma das tradições pouco mostradas da Cebit. Muitos dos que passam o dia em seríssimos negócios, à noite tiram a gravata e dirigem-se ao restaurante Munique. A transformação não podia seu mais radical, milhares de pessoas, muitos milhares de litros de cerveja, toneladas de carne e salsichas fazem com que muitos acabem os dias a dançar em cima das mesas ou transportados em braços para o seu hotel. É uma tradicional festa alemã mas com a curiosidade, durante a Cebit dos muitos estrangeiros, sobretudo os asiáticos que vão da desconfiança inicial à participação sem inibições em poucas horas, fruto do álcool e do espirito contagiante das bandas que animam toda a noite incitando mesmo aos brindas colectivos com as enormes canecas de cerveja típicas da região.
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Carrinhos de supermercado reciclados
Em Portugal é recente a preocupação com os sacos de plástico das compras, muitos supermercados estão a tentar diminuir o seu uso. A consciência ecológica chegou também aos próprios carrinhos de supermercado, eles próprios passam a ser reciclados e até já trazem electrónica escondida.
Pronto para invadir os supermercados nacionais o novo carrinho aposta nos argumentos de marketing e num novo modelo de negócio. Para o consumidor representa à partida mais segurança. Tem grande capacidade de carga e um novo sistema para levar uma ou duas crianças, o próprio peso das crianças é usado para as manter no seu lugar.  Não tem esquinas aguçadas e todo o exterior é plástico, em caso de choque o material cede para amortecer o embate. Não faltam travões e um sistema que o impede de andar demasiado depressa sem no entanto obstar ao andamento normal. Ao contrário dos tradicionais carrinhos metálicos é quase impossível prender os pés ou os dedos das mãos na estrutura. Bem escondido entre as rodas da frente está um chip que permite ao fabricante “conhecer” a história do carrinho e, se o sistema necessário for colocado, dar o alerta se o carrinho sair de uma zona pré-determinada. A Markitcart aposta num modelo de negócio diferente, e é adaptável à imagem de cada ponto de venda. Os carrinhos são vendidos ao supermercado mas a empresa mantém a concessão da publicidade aproveitando as grandes superfícies lisas laterais. Ao fim de três anos compromete-se a trocar os carrinhos por novos, alegadamente sem custos. Os carrinhos já são fabricados em materiais reciclados e no fim de vida serão destruídos para fabricar outros iguais ou semelhantes. Invenção do piloto e arquitecto neozelandês Mark Fraser é um exemplo de como a tecnologia ainda pode fazer muito pelos velhos objectos do dia a dia.
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