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Marcos Caruso : O menino sem mãe que escolheu olhar em frente

O ator e encenador foi convidado no "Alta Definição" de hoje.

Marcos Caruso, ator brasileiro da Globo, foi o convidado de Daniel Oliveira no programa Alta Definição deste sábado, 10 de fevereiro. Aos 66 anos deu uma entrevista emocionante, onde falou da morte da mãe, a paz com as mágoas da vida, o foco na carreira e o amor por Portugal, “país que olha nos olhos”.

É ator, encenador, realizador e autor para cinema, teatro e televisão. Marcos Caruso veio a Portugal para apresentar o monólogo “O Escândalo Philippe Dussaert” em Lisboa e Porto e foi à conversa com Daniel Oliveira que se dividiu em histórias.

Perdi a minha mãe quando nasci”, revela o ator que foi vivendo de casa em casa, de tio em tio, depois da mãe morrer no parto, aos 25 anos de idade. “Então eu não tenho essas recordações de infância, mas tudo isso é bom. Tudo isso faz parte de nós”, assumiu.

Aos sete já representava debaixo da mesa de jantar de casa, com os bonecos cosidos pelas mãos da avó. Um ano depois, a professora pediu aos alunos a redação de uma carta para as mães. “Lembro-me que todas cabeças dos meninos se baixaram para escrever e eu fiquei com a minha em cima. Eu inventei uma [mãe]”, descreveu.

A foto que tem da mãe protege-o e é para ela que olha que sempre que enfrenta um novo desafio - “A falta dela fez-me crescer muito. E eu agradeço-lhe”. Cresceu e aos 21 anos casou. Pouco depois, nasceu o seu único filho biológico antes de adotar uma menina. Os cinco meses em que esteve desempregado não foram fáceis.

Foi no momento no momento de desespero que a necessidade impulsionou a criatividade. Um dia, para espanto da mulher, Marcos apareceu em casa com um máquina de escrever. "Trair e coçar é só começar" foi a peça que lhe colocou comida na mesa que está há quase 40 anos em cena no Brasil.

Marcos Caruso tem 44 anos de carreira, três netos e viveu quatro casamentos. Nunca pensou ouvir-se a dizer que casou várias vezes, mas uniu-se a “mulheres fantásticas”, mulheres com quem ainda conversa e ri. Aos 40 anos divorciou-se da primeira mulher, “separam-se por amor”. E juntos, deram a oportunidade ao outro de ir atrás da felicidade.

O carinho popular chegou de forma unânime e absoluta onde interpretou o célebre Leleco em “Avenida Brasil”. “Ao praticar boxe para a personagem comecei a ver que estava a ficar bonitinho. Acabou a novela e eu mantive. Acho que ainda estou bonitinho e gostoso”, contou com o humor sobre o papel que aceitou aos 60 anos.

Sobre o pai, o seu ídolo, diz que apenas quer chegar aos 97 anos tal como ele está. “Ele sofreu muito. Levantou e sacudiu a poeira e deu a volta por cima em todos os momentos tristes, amargos, dramáticos. Ele dá-me um norte seguro”, explicou visivelmente orgulhoso. Aos 27 anos, o pai do ator perdeu a mulher com um filho nos braços. Mergulhou no trabalho para esquecer a dor – “eu só conheci verdadeiramente o meu pai quando tinha vinte e poucos anos”, revela.

A Daniel Oliveira, Marcos fala de Portugal como um dos "poucos países onde se vê o olho das pessoas”. Visivelmente emocionado, o ator diz que quando chega a Portugal, olha nas pessoas e esse olhar é correspondido. “Os portugueses e os brasileiros são os únicos que olham nos olhos e fazem uma piada, conversam e ainda dão informação com prazer”, explica.

Marcus Caruso é o eterno menino que brincava ao teatro. Não espreita pelo ombro para ver o que já se viveu. Os olhos estão apontados para a frente é para aí que se dão os passos. Sem pudores, o ator reconhece que coloca a representação em primeiro lugar, mas que “fez as duas coisas muito bem feitas” – a carreira e a paternidade.

Na memória do público estão personagens de novelas como “Páginas da Vida” ou “Mulheres Apaixonadas”, mas a mente continua sedenta por criar outras. Já resolveu “todos os traumas”, mas revelou um pedido emocionante. “Mãe… desculpa. Eu fui o motivo da sua morte”, disse. Se a voltasse a encontrar “talvez houvesse um pedido de desculpas mútuas”, mas ambos saberiam que não houve culpa alguma.

Aos 66 anos, Marcos Caruso afirma que para viver tem de ser agarrar, “estar em todas as esquinas do mundo”, e se possível, “transformar o limão, não numa limonada, mas numa caipirinha”.

Veja aqui a entrevista completa de Marcos Caruso no 'Alta Definição'.

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